Medicina chinesa ou Medicina tradicional chinesa (MTC)


Afinal, o que é esse termo que ouvimos às vezes durante uma sessão de massagem, auriculoterapia, ventosaterapia, ou nas práticas de terapias integrativas, principalmente orientais, usadas hoje até com o reconhecimento da medicina ocidental?
Nesse texto, trago para vocês de uma forma simples, o que aprendi nesses 5 anos de estudo e trabalho. Espero que aproveitem!
A medicina tradicional chinesa (MTC) é uma das formas mais antigas da medicina, junto com as conhecidas egípcias e gregas. Registros históricos datam mais de 5.000 anos dos primeiros “documentos”, se quisermos nomear assim.
Se é usado até os dias de hoje, podemos imaginar que a efetividade não pode ser muito contestada, não é mesmo?

Mesmo assim, no Brasil só ganhou força e reconhecimento há pouco mais de 100 anos.

O conceito de Qi é absolutamente fundamental para o pensamento médico chinês

“A natureza mutável do Qi entre uma substância material e uma força etérea sutil é essencial à concepção de corpo e mente como unidade integrada. A variedade infinita de fenômenos do Universo é resultante da contínua capacidade de reunião e dispersão do Qi para produzir fenômenos com variados graus de materialidade. Qi é a própria base de manifestações infinitas da vida no universo, inclusive minerais, vegetais e animais (entre eles, os seres humanos).”(Maciocia, Giovanni. Os Fundamentos da Medicina Chinesa – 3ª edição. Rio de janeiro: ROCA, 2019)
Na base de tudo está Qi, em nós, desde o corpo (matéria), até a mente (imaterial).
A “Medicina Chinesa” foi usada por clãs (famílias) na China antiga, conhecimentos adquiridos, que não eram divididos nem entre esses clãs, muito menos com o resto do mundo. Segredos que percorriam, através do ensino verbal de uma geração para outra.
No início, esse conceito de medicina foi construído na observação da natureza e do ser humano, no uso do que a natureza oferecia, e como isso afetava o corpo, tanto para uma melhora ou piora.
A investigação sobre as trocas de estações e a influência na saúde do indivíduo, contribuiu principalmente para a prevenção de desequilíbrios energéticos, manifestados também através de doenças.
Nesse processo de aprendizado, ações como a pressão da face palmar ou polegar sobre um ponto de dor se relacionavam com a redução de dores. A perfuração (acupuntura) de um ponto específico ou dolorido e como isso colaborava para melhora do funcionamento do corpo, uma sangria (perfuração e retirada de algumas gotas de sangue), ou aquecimento (moxa) de alguma parte do corpo e seus efeitos terapêuticos.
Esses são apenas alguns exemplos de estudos e análises realizados naquela época.

“Be like water, my friend” (Lee, Bruce)

Sobre o uso da MTC nos tratamentos

Muito do que usamos como base, principalmente nas análises e tratamentos que oferecemos na ROKUZEN®️, para cuidar de vocês, vem desses milhares de anos e aperfeiçoamento da MTC. Como por exemplo, o uso da teoria Zang Fu (órgãos e vísceras) ou dos 5 elementos.
A análise física (visual), o timbre da voz (som) ou um odor específico (cheiro) nos dão dicas para elaborar nossos tratamentos. Os pontos de dor (tato), que para nós, massoterapeutas são os pontos com excesso ou deficiência de energia, e é onde usamos as terapias como a massagem shiatsu, a auriculoterapia, ou a reflexologia podal e até a ventosaterapia.
Porém, mesmo assim, muita informação se perdeu no caminho até hoje, e foi graças, principalmente a Lao Tse e Huang Ti (Imperador Amarelo), que reuniu muitas dessas informações e “criou” o que ficou conhecida posteriormente como medicina chinesa.
Acredita-se que Huang Ti reinou há mais de 2.000 a.C. Nessa época Lao Tse difundiu a filosofia do Tao (taoismo), que seria ampliado paralelamente em algum momento com o confucionismo (Confúcio). Essas correntes filosóficas se consolidaram, e se fazem presentes até hoje no continente asiático e em outros pontos do globo.
Pra finalizarmos, através do taoismo idealizado por Lao Tse, foi trazido o conceito de que somos feitos de duas energias (yin-yang) opostas e complementares, existentes em tudo e em todos: animais, humanos, natureza e universo, onde existem caminhos de energia (meridianos) no nosso corpo que influenciarão partes específicas em nós, caminhos estes usados na massagem shiatsu e acupuntura, por exemplo.

E essa busca pelo “Tao”,em parte, é a busca pela compreensão de que somos parte de tudo, e tudo é parte de nós, não existe separação, meus amigos.

 

Texto feito pelo Eric Danilo Gaspar.
Revisado por: Marisa Nagumo, Beatriz Fabretti, Gustavo Ken Kazuki e Gustavo Furlan.

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